O retorno de Bellucci dos torneios ATP para os challengers recebeu críticas de alguns blogueiros, embora de forma não pronunciada. Dá para analisar a decisão do paulista e de seu treinador sob alguns ângulos.
- Jogando challengers, o tenista desce de nível e deixa de “forçar” o seu jogo a evoluir. Ou seja, sem tantos desafios, os torneio menores não vão fazê-lo melhorar quanto um torneio grande, mesmo perdendo nas primeiras rodadas, faria.
- Confiança. O Bellucci vem melhorando neste ano, com vitórias em dois Grand Slams. Mas não tem conseguido uma seqüência animadora de jogos como na primeira metade do ano. O jogador sente falta disso, voltar a vencer seguidas partidas lhe dá confiança. Só não pode é perder direto em challengers também. Aí mostra que tem coisa errada.
- Ranking. Bellucci pode até estar jogando bem, mas não avançar muito nas competições lhe custou várias posições no ranking, inclusive o número 1 do Brasil. Voltar aos challengers pode ser uma boa tentativa de subir, mas também é assumir que em ATP Tour (internatinal Series, etc.) esses pontos seriam complicados demais.
Marcos Daniel, mais velho e experiente, fez essa opção recentemente. É outra situação. Defende muitos pontos na Copa Petrobras. Sem eles, cairia muito. Provavelmente não os conseguiria em ATP Tours.
Daniel, por sinal, está fazendo estrago ao ganhar challenger atrás de challenger e atingir o melhor ranking da carreira. Mostra que seu nível está além dos challengers.
Por motivos diferentes, tanto Bellucci quanto Daniel devem voltar em breve aos torneio da ATP. O paulista precisa explorar seu potencial, e o gaúcho, mostrar que ainda tem fôlego para não ser jogador apenas de torneios menores.
Rodrigo, no caso do Marcos Daniel, acho que o fato dele ter 30 anos também pesa. Aos 20, as responsabilidades financeiras não pesam tanto e é a hora de investir na carreira, ou seja, arriscar mais, exigir mais de si mesmo, ser mais puxado. Aos 30, a questão de se sustentar é mais crítica. Não é apenas a necessidade de pagar as contas, e sim de continuar jogando, continuar viajando… isso acaba sendo caro.
O jogador mais maduro precisa, creio, de um pouco mais de segurança, até por que a questão do patrocínio pode ir complicando, já que os patrocinadores sabem que aquele atleta não tem mais tantos anos de competição pela frente quanto um garoto.
Quanto ao Bellucci, não sei. Vejo essa decisão dele com certa desconfiança, mas talvez seja cedo para julgar. Talvez se trate apenas de uma “retirada estratégica” por uns tempos, um “descanso” dos torneios grandes para ganhar confiança e depois voltar logo.