
Nastás saiu por baixo - Foto Tenisbrasil
Como prometi, um post sobre o polêmico boicote dos principais tenistas brasileiros à Copa Davis. É um pouco do que apurei para meu Trabalho de Conclusão de Curso Break Point – A vida e a carreira de Gustavo Kuerten.
Os principais jogadores brasileiros já estavam insatisfeitos com o comando de Nelson Nastás na Confederação Brasileira de Tênis (CBT), e duas atitudes do então presidente fizeram o clima ficar ainda mais pesado.
Em 2003, Nastás terminou o ano sem prestar contas da entidade e, em fevereiro do ano seguinte, afastou Ricardo Acioly do cargo de capitão do país na Copa Davis, colocando Jaime Oncins.
Um mês depois, durante o ATP Tour da Costa do Sauípe, Guga e os melhores brasileiros no ranking na época, Ricardo Mello e Flávio Saretta, promovem o boicote à equipe da Davis.
Em junho, mais jogadores aderem ao protesto, e o Brasil é obrigado a enfrentar a Venezuela com tenistas juvenis (Raony Carvalho, Bruno Rosa, Diego Cubas e Caio Zampieri). Antes, o Brasil já havia perdido para o Paraguai, com Marcos Daniel, Josh Goffi, Alexandre Simoni e Julio Silva.
Na segunda metade do ano, crescem as suspeitas de desvio de dinheiro por parte de Nastás, e o Tribunal de Contas da União investiga o presidente por uso pessoal de recursos da Lei Agnelo/Piva, que destina uma porcentagem do que é arrecadado com loterias federais para o esporte. O Brasil perde para o Peru e cai para o Zonal Americano II, a terceira divisão da Copa Davis.
No final do ano, a Justiça afasta Nastás do cargo de presidente. Segundo a investigação, ele e o superintendente-técnico da entidade, Carlos Alberto Martelotte, desviaram cerca de R$ 113 mil. Uma nova eleição é convocada, e o presidente da Federação Catarinense, Jorge Lacerda Rosa, é escolhido para assumir o cargo.
Guga e os outros jogadores envolvidos no boicote retornam à equipe 2005 e conseguem recolocar o país no Zonal Americano I e na disputa por uma vaga no Grupo Mundial, situação em que o país se encontra até hoje.
Game: Muita coisa foi dita na época, pouca coisa realmente provada. Uma das bombas que estourou na época foi esta reportagem da Folha de São Paulo. Mais um pouco da história nesta matéria do Correio Braziliense.
Set: Toda vez que Marcos Daniel está atuando bem e não é convocado para a Copa Davis, vem a sombra do boicote. Contra o Paraguai, em 2004, ele não aderiu ao movimento dos jogadores e jogou, segundo o site Tênis News, para conseguir um pouco de dinheiro. Desta vez, contra a Croácia, não tem nada a ver. E talvez em nenhuma das vezes também. Chico Costa fez a melhor convocação possível.
Match: Esporte tem que ter confusão nos bastidores. Se for para melhorar, claro. Parece que está dando certo…

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